quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Omar Khayam



"El vino, al brindarte calor,
te libertará de las nieves del pasado
y de las brumas del porvenir.
Y al inundarte de luz,
romperá tus cadenas de galeote"

"O vinho, ao dar-te calor,
te libertará das neves do passado
e das brumas do futuro.
E ao inundar-te de luz,
romperá teus grilhões de prisioneiro"


O verso é de Omar Khayam, no seu conjunto de poemas, “Os Rubayat”, e soa tão melhor na versão em espanhol.
Khayyam foi um poeta, matemático e astrônomo nascido em 1048no século 11 na antiga Pérsia, atual Irã.
Na mesma época, na Europa feudal, os Normandos ainda estavam invadindo a Inglaterra.

A julgar pelas quadras (Rubayats) escolhidas as seguir, as dúvidas sobre a existência humana não são privilégio nosso.

"Alguns amigos me dizem: Não bebas mais Khayyam.
Respondo: Quando bebo, ouço o que me dizem
as rosas, as tulipas, os jasmins;
ouço até o que não me diz a minha amada."

"Tenho igual desprezo por libertinos ou devotos.
Quem irá dizer se terão o Céu ou o Inferno?
Conheces alguém que visitou esses lugares?
E ainda queres encher o mar com pedras?"

"Cristãos, judeus, muçulmanos, rezam,
com medo do inferno; mas se realmente soubessem
dos segredos de Deus, não iam plantar
as mesquinhas sementes do medo e da súplica."

"O vasto mundo: um grão de areia no espaço.
A ciência dos homens: palavras. Os povos,
os animais, as flores dos sete climas: sombras.
O profundo resultado da tua meditação: nada."

"Baixinho a argila dizia
ao oleiro que a torneava:
Já fui como tu, não te esqueças,
não me maltrates."

"O meu nascimento não aumentou o Universo,
nem a minha morte lhe fanará o esplendor.
Ninguém me dirá por quê vim ao mundo,
ou porquê um dia irei embora."

"Um pouco de pão, um pouco de água,
a sombra de uma árvore, e o teu olhar;
nenhum sultão é mais feliz do que eu,
e nenhum mendigo é mais triste."

"No turbilhão da vida são felizes aqueles
que presumindo saber tudo não se instruem.
Fui buscar os segredos do Universo e voltei
invejando os cegos que encontrei pelo caminho."

"Colhe os frutos que a vida te oferece
e escolhe as taças maiores;
não creias que Deus vá fazer as contas
dos teus vícios e das tuas virtudes."

"Rosas, taças, lábios vermelhos:
brinquedos que o Tempo estraga;
estudo, meditação, renúncia:
cinzas que o Tempo espalha"

Os versos completos estão aquí:
http://www.alfredo-braga.pro.br/poesia/rubaiyat.html

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Conciencia Nunca Dormida"




"¡Conciencia, nunca dormida,
mudo y pertinaz testigo
que no dejas sin castigo
ningún crimen en la vida!
La ley calla, el mundo olvida;
mas ¿quién sacude tu yugo?
Al Sumo Hacedor le plugo
que a solas con el pecado
fueses tú para el culpado
delator, juez y verdugo."

"Consciência, que nunca adormece,
testemunha teimosa e muda
que não deixa sem castigo
nenhum crime nesta vida!
A lei cala, o mundo se esquece;
mas quem se livra do seu jugo?
Ao Supremo Criador suplico
que a sós com o pecado
sejas tu para o culpado
promotor, juiz e carrasco"

Última estrofe do poema El Vertigo (1879)

Gaspar Núñez de Arce (Valladolid, 1834 – Madrid, 1903), poeta e político espanhol.