terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Dourada Abelha da Fantasia

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"Na arte, a indisciplina dos novos, a sua rebelde força de resistência às correntes da tradição, é indispensável para a revivescência da invenção e do poder criativo, e para a originalidade artística. Ai das literaturas em que não há mocidade! Como os velhos que atravessaram a vida sem o sobressalto de uma aventura, não haverá nelas que lembrar. Além de que, para os que na idade madura foram arrancados pelo dever às facilidades da improvisação e entraram nesta região dura das coisas exactas, entristecedora e mesquinha, onde, em lugar do esplendor dos heroísmos e da beleza das paixões só há a pequenez dos caracteres e a miséria dos sentimentos, seria doce e reconfortante ouvir de longe a longe, nas manhãs de sol, ao voltar da primavera, zumbir no azul, como nos bons tempos, a dourada abelha da fantasia."

Lisboa, 14 de Dezembro de 1884 no prefácio a "O Mistério da Estrada de Sintra"

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