sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Arminho e o Tribunal

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Eu disse lá em cima, no título, que este blog não trata de política.
Então vamos falar de natureza.
Acho que todos já ouviram falar do bichinho aí da foto, o arminho, e todos sabem como sua pele branca é cobiçada.
Segundo a Wikipédia, a espécie ocupa todas as florestas temperadas, árticas e sub-árticas da Europa, Ásia e América do Norte, e não está ameaçada de extinção.
A pelagem branca imaculada é sua camuflagem de inverno, e o mantém a salvo de seus inúmeros predadores.
Essa camuflagem branca lhe é tão fundamental que se o arminho for encurralado num lamaçal, prefere deixar-se apanhar.
Ele sabe que se sujar sua pele, perderá sua mais importante proteção, e será devorado pelo primeiro predador astuto que aparecer.
Por esse motivo a pele do arminho ornamenta as togas de juízes e magistrados.
É o símbolo da incorruptibilidade. E tem sido desde a idade média.
“Malo mori quam maculari” é a expressão em latim.
Melhor a morte do que a mácula, a sujeira, a desonra.
Na tarde de ontem, alguns arminhos do STF preferiram emporcalhar suas pelagens, cortando caminho pelo lamaçal.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Máximas e Mínimas do Barão de Itararé


. De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
. Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.
. Quem empresta, adeus...
. Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
. Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
. Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
. Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
. Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.
. Quem só fala dos grandes, pequeno fica.
. Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
. Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
. Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
. Os juros são o perfume do capital.
. Orçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.
. Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.
. O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
. A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.
. Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
. Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
. Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
. Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
. É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
. A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
. Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
. O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
. Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
. Mulher moderna calça as botas e bota as calças.
. A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
. Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
. Pão, quanto mais quente, mais fresco.
. A promissória é uma questão "de...vida". O pagamento é de morte.
. A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.

Poema em Linha Reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



terça-feira, 25 de agosto de 2009

De Semideuses e Genís.

Curiosa essa nossa necessidade, humana e mortal, de precisar tanto de ídolos, deuses e semideuses.
Imortais de preferência e por definição.
Já era assim na Grécia, por que não aqui também?
A vitória de Barrichello domingo passado me faz relembrar o tema.
Por que um indivíduo com uma carreira brilhante, numa atividade de alta competitividade e risco, continua a ser sistematicamente menosprezado?
Uma trajetória mais bem sucedida e longa que a da grande maioria dos pilotos.
Uma vida pessoal e familiar equilibrada.
Tenacidade e trabalho duro.
E, no entanto, não é isso que queremos.
Não desejamos um nosso igual.
Queremos alguém com a marca do dedo de Deus, um escolhido do Criador Todo Poderoso, e que por essa única razão seja superior aos simples mortais.
Já que essa marca não apareceu, achamos que ele está como todos nós, aos pés do Olimpo, olhando para cima, em direção ao falecido semideus que, em nossa visão pequena, não igualou.
E em nossa frustração, alternamos para outra necessidade, tão perversa quanto humana, que é a de ter uma Gení, aquela enxovalhada personagem da música de Chico.
Se Rubinho desse bola para essa torcida teria desistido.
Felizmente não o fez, e deu mais um bom exemplo.